Santo André da Bahia e toda aquela magia

por | jan 23, 2016

Camis, bora pra Bahia no réveillon?

Fazer essa pergunta pra mim é a mesma coisa que perguntar se um gato quer Whiskas Sache ou se uma mulher na TPM quer chocolate. Antes mesmo da frase terminar, meu coração já batucava no ritmo dos tambores dos orixás.

Faltavam dois meses pro ano novo quando minha amiga candanga/carioca que mora em São Paulo me convidou pra um comboio de amigos, um tipo de caravana encantada, a Santo André, vilarejo de Santa Cruz Cabrália, no sul da Bahia. Havia muito que eu queria conhecer Santo André, um lugar tão próximo a Arraial d’Ajuda, Trancoso e Porto Seguro, mas espiritualmente a milhares de km de distância. Lá o cenário muda, a população muda, a vibe muda. Eis um pequeno paraíso ainda intocado.

Sorria, você está na Bahia! Então, desacelere. Vá direto à praia tomar uma caipirinha de seriguela por R$10,00. E relaxe!

Foi assim que passei minha primeira tarde, esparramada na areia, sob a sombra da amendoeira mais gostosa de todos os tempos, mergulhando no mar quentinho.

Biquini, canga e chinelo é a roupa oficial de Santo André. As ruas são de terra e as bicicletas rodam sem pressa, assim como a vida baiana. Depois de um dia de vento, sal e sol, um cochilo gostoso na rede esperando a magia da noite chegar.

Éramos um grupo de paulistas, cariocas e no meio da gente os Amigos da Onça, um dos blocos do carnaval carioca mais legais dos últimos tempos, populando a vila. Imagine só a galera da fanfarra lisérgica chegando no meio da balada paulista, o batuque correndo solto e, de repente, todos se virem num cortejo seguindo pelo mangue, sob a luz da lua lindamente cheia, ao som de Êta, Êta, Êta, é a lua, é o sol, é a luz de Tieta eta eta? Imaginou? Pois foi uma das coisas mais transcedentais que já presenciei. São os pequenos enormes presentes que a Bahia te dá. Falo mais sobre a Bahia nesse post aqui e nesse aqui.

Foi tanta energia emanada no cortejo dos Amigos da Onça nessa noite que pensamos: “Por que não alugamos uma bike e vamos até Guaiu amanhã? São só 17km. A gente consegue, vai!”. Acordamos cedo e nos aventuramos numa pedalada punk, mas linda de viver, tirando o fato de que nossas bikes se encontravam num estado de calamidade pública, fazendo qualquer bicicleta do Itaú se sentir uma verdadeira Canondale.

Dos 17km de Santo André a Guaiú, fizemos oito deles pela BA001 até Santo Antônio (espero que ele tenha ouvido meus pedidos, porque a promessa já paguei). Os outros nove foram pela estrada de terra, que começa na primeira direita depois do centrinho, seguindo pela areia dura da praia até o restaurante da Maria Nilza. Esse trecho é bem desgastante quando o vento tá contra, mas pra quem tem força nas canelas vale muito à pena. Mas, atenção, só dá pra ir na maré baixa.

O restaurante da Maria Nilza é o ponto alto de Guaiú, um verdadeiro Oásis no meio do deserto. Lugar lindo, cheio de redes, espreguiçadeiras e com a Fonte da Deusa, uma fonte de água doce, com cuias de madeira onde você pode se refrescar no calor do verão. A Nilza recebe os clientes pessoalmente numa simpatia que só. A comida é gostosa, mas os preços são salgados (pedimos polvo a vinagrete, pasteis e cerveja, que saíram por R$62,00 pra cada). O valor é compensado pelo ambiente delicioso do restaurante.

A volta a Santo André foi pelo asfalto, num visual igualmente lindo e menos desgastante. Se você quiser se aventurar e gosta de pedalar, sugiro que faça esse mesmo caminho que fizemos (ida pelo asfalto + terra + praia e volta pelo asfalto). Mas, se você não tem tanto costume com a magrela, então faça todo caminho pelo asfalto pra não sofrer com a dor na bunda que, invariavelmente, você vai sentir.

As bicicletas podem ser alugadas em diversos locais de Santo André. A diária sai por cerca de R$25,00, mas se for alugar por mais tempo rola um desconto.

Ainda pra quem tá na vibe do esporte, o vilarejo também é famoso por receber um workshop de Yoga no verão e no inverno. Professores do mundo todo vão à pousada Ponta de Santo André dar práticas a iniciantes e avançados. Geralmente, esses pacotes são vendidos com antecedência, mas também rola aula avulsa. A de Ashtanga saiu por R$30,00.

Outra coisa muito legal de se fazer é alugar um caiaque ou stand up paddle e remar pelo rio. Meia hora (que pode virar uma hora se você conversar direitinho) sai por R$30,00 no restaurante Gaivota.

Se a disposição esportiva continuar, aproveita pra correr ou caminhar até a ponta esquerda da praia de Santo André. São uns 3km até o mangue, onde se formam piscinas naturais de água transparente e quentinha. Aí é só relaxar.

Todo movimento da vila acontece na rua que margeia o rio ou no campo de futebol. O Arroto do Badejo (bar/boate com o melhor nome de todos os tempos) era nosso queridinho. Lá rolaram algumas festinhas, mas o que nos fazia voltar todas as noites era a caipirinha preparada especialmente pra gente, feita de cachaça local (não me pergunte qual, mas não tive ressaca nenhum dia), por R$10,00. O Arroto foi inaugurado nesse último réveillon e tô achando que ele será A night de Santo André daqui pra frente, até porque são poucas as opções de vida noturna, principalmente fora de temporada.

Pra nossa sorte, era noite de réveillon. O cortejo dos Amigos da Onça, dos paulistas e dos cariocas saiu da frente da nossa pousada e seguiu até a praia. O bloco tocou infinitamente, sem intervalo, até o sol nascer e além. Lá brindamos à 2016 repletos de amor, música, liberdade, natureza, festa e união. Lindo de ver e de sentir!

Como bem disse o pessoal da Gangstour, que organizou nossa linda viagem, foi uma profusão de sentimentos, experiências, trocas, cores, temperos, melodias e emoções. Dos cortejos pelo mangue ao Sol nascendo no outro lado do mundo, dos batuques e violinos encantados, da lua resplandecente, dos abraços e sorrisos! É tudo e tanto que chega a transbordar…

Leia também: Pelas areias de Caraíva

como chegar

Porto Seguro é a porta de entrada de Santo André (e das principais cidades no sul da Bahia). Com um pouco de sorte você consegue achar uma boa promoção de passagem aérea. Quando comecei a pesquisa dois meses antes pelos sites submarinoviagens.com e skyscanner, as passagens estavam acima de R$2.000,00. Até que surgiu uma “promoção” da Gol, num vôo sem escalas saindo do aeroporto Santos Dumont (pra quem não conhece, é o mais central no Rio), nos dias e horários que eu queria, por metade desse valor. Só pra comparar, de ônibus eu perderia 3 dias de viagem (ida e volta) e gastaria cerca de R$500,00. De avião eu levei três horas e gastei R$1000,00. Um excelente custo x benefício.

Uma vez em Porto Seguro, você pode alugar um carro, seguir direção norte pela BR-367 por 23 km beirando o mar até Cabrália, atravessar o Rio João de Tiba de balsa por 15 minutos (das 6h às 19h30 a balsa sai a cada 30 minutos e a partir das 20h, a cada hora. Cerca de R$12,00 o carro) e seguir por mais 2km pela BA001 até Santo André. Alugar carro é uma boa pedida se você pretende conhecer as cidadezinhas próximas, como Santo Antônio (8km), Guaiú (17km) e Belmonte (50km). Mas atenção, abasteça o tanque antes de atravessar o rio, pois não há posto de gasolina em Santo André.

Outra opção é contratar um táxi, que sai cerca de R$200,00, e faz o mesmo trajeto do carro. Mas a melhor opção pros mochileiros com pouca grana, como eu, é pegar um ônibus na rodoviária de Porto Seguro, que fica a 10 minutos a pé do aeroporto, e seguir pra Cabrália. Os ônibus saem a cada 20 minutos, são cerca de 1h30 de viagem, por apenas R$4,50 + a travessia da balsa por R$1,50. De lá, ou caminha por dois quilômetros ou pega um táxi até a entrada da cidade.

Atenção, na alta temporada a BR367 (de Porto Seguro a Cabrália) fica muito engarrafada e a viagem de meia hora, pode levar até duas.

onde comer

Só existem dois mercadinhos em Santo André e são bem precários, poucas frutas, quase nenhuma bebida alcoólica e gelo é praticamente impossível! O ideal é fazer compras num mercado em Cabrália e já chegar abastecido.

Se na sua pousada não tiver café da manhã, existem algumas ótimas opções na cidade. A nossa preferida foi o Quintal Tropical. Por R$20,00 eles servem pão integral, suco fresco, café, frutas, queijo, ovo, e ainda tem wifi, artigo de luxo na cidade. Além disso, a Graça e o Celso, donos do lugar, são de uma simpatia só e tem altas histórias pra contar.

No almoço ou no jantar, é na beira do rio que se concentram os melhores restaurantes. O Sant’Annas (de comida italiana) é pequeno e com uma linda decoração mediterrânea. O menu é reduzido e a comida é bem gostosa. De entrada pedimos um carpaccio de peixe com legumes. o prato principal foi lasanha verde com berinjela e brócolis, acompanhado de uma garrafa de vinho branco. A conta saiu por R$75,00. Achei caro, mas o ambiente é bem agradável.

Se quiser algo mais em conta, o restaurante Orquídea serve tapiocas deliciosas por R$7,00. Lá também rola almoço self-service bem baratinho, com uma vasta opção de legumes, peixe, arroz, feijão. O prato bem servido + suco sai por cerca de R$15,00.

Meu restaurante preferido foi o Gaivota, onde fizemos a ceia de réveillon. É o mais antigo da vila, tem um deck lindo debruçado sobre o rio, conta com aluguel de caiaque e stand up paddle e serve deliciosos pratos de frutos do mar. Pedimos peixe com molho de alcaparras, acompanhado de arroz, pirão e farofa + suco. Saiu por cerca de R$45,00 pra cada um.

No caminho pra praia fica o restaurante Almescla, de comida típica baiana. O ambiente é bem agradável e os pratos são bem servidos, mas o serviço deixou a desejar.

Na happy hour ou no jantar, o Bar do Rio é o local perfeito para ver a lua nascer.

Na hora da larica o lugar ideal é a Oficina do Sabor. Doces baianos, compotas, licores e as melhores cocadas que você vai comer na vida. O espaço é lindo, com um jardim super agradável. Rola até chá da tarde.

IMPORTANTE: São poucos os locais que aceitam cartões de crédito/débito e não há caixa eletrônico na vila. Lembre-se de levar dinheiro vivo ou cheque.

o que fazer

Além de tudo que eu falei aí em cima, vocês também podem optar por não fazer absolutamente nada. Ou talvez alugar um barquinho e ir até os corais de Araripe e de Coroa Alta. Dizem que é legal, mas eu preferi ficar jiboiando ao som de Eu vooou, atrás do trio elétrico vou, dançar ao negro toque do agogô, curtindo minha baianidade nagô, ooooooo.

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