Praga: Roteiro de 4 dias pela capital Tcheca

por | nov 20, 2016

Em novembro de 2016 fiz um tour de 3 semanas pelo Leste Europeu (dou todas as dicas úteis nesse link aqui) e comecei minha jornada por Praga. A cidade está na lista must seen de 9 entre 10 pessoas que viajam praquela região, mas, curiosamente, ninguém sugere ficar mais de 3 dias na capital da República Tcheca. Um pecado com tanta beleza!

Como estive por lá no inverno, onde os dias são mais curtos, preferi ficar 5 dias/6 noites na cidade e, ainda assim, acho que poderia ter ficado mais um dia. É uma cidade tão linda que você vai querer parar a cada esquina pra tirar uma foto e em cada café pra se esquentar do frio.

Mas nem tudo são flores na cidade. Em Praga ainda é permitido fumar em locais fechados e todo mundo fuma muito! A maioria das pessoas que conheci eram bem grossas e tentaram nos passar a perna em cada restaurante. Neste post aqui fiz uma lista dos 5 pontos positivos e negativos da cidade. 

 

como se locomover

A melhor forma de conhecer Praga é a pé e, a não ser que você se hospede fora da área turística, não precisará pegar transporte pra lado algum. Mas, caso precise, Praga é muito bem servida de bondes, ônibus, metro e trens, que passam sempre pontualmente, inclusive em horários noturnos. Os tickets podem ser comprados em diversas lojas de conveniência. Existem bilhetes de 30 min., 90 min., 24 horas e 72 horas. Os de 30 minutos são os mais baratos (24 CZK – cerca de R$3,10) e mais convenientes, pois dificilmente você vai pegar mais do que dois transportes por dia.

Lembre-se de validar o bilhete assim que entrar no bonde (metro, trem e ônibus, idem). Apesar de eu não ter visto fiscais por lá, se você for vistoriado e seu bilhete não estiver validado terá que pagar cerca de 40 Euros de multa. Mais informações você encontra nesse link.

 

onde se hospedar

Vaclav, dono do Apartments Emma, uma hospedaria familiar que encontramos no Booking.com, nos buscou no aeroporto no horário combinado e seguiu até o apartamento nos contando um pouco sobre a história da cidade e do país, os horrores da Primeira Guerra, a ditadura Comunista e as eternas disputas e rupturas com a atual Eslováquia. Chegando no hotel, gastou um bom tempo explicando sobre os pontos turísticos da cidade, os melhores restaurantes e como se locomover. Uma verdadeira aula de história, praticamente um guia, sem nos cobrar nada por isso.

O Apartments Emma é um prédio de 1902 onde antes funcionava a padaria da família de Vaclav e foi transformado em apartamentos para locação. Os quartos são super aconchegantes, limpos, bem decorados, com facilidades de cozinha e banheiro (inclusive secador de cabelo), serviços de lavanderia gratuito e WiFi. Um verdadeiro achado que nos custou a bagatela de  4.000 CZK (cerca de R$525,00 por 6 noites, pra duas pessoas). O local fica a 10 minutos de bonde da Charles Bridge. Talvez não seja o ideal para quem vai ficar apenas 3 dias na cidade, mas é uma área residencial ótima praqueles que gostam de ter contato com o povo local. Além disso, se você ficar mais de 4 noites, ganha o transfer do aeroporto gratuitamente. 

  

o que conhecer

O que encanta na cidade são as lindas construções do centro histórico, rédios baixinhos e coloridos, decorados com esculturas de animais e plantas, variando entre Art Deco, Nouveau e estilo Cubista. Você não vai conseguir dar dois passos sem olhar pra cima. É uma joia rara na Europa.

A cidade também é repleta de boas atrações turísticas, algumas gratuitas, outras pagas. Aqui vão algumas sugestões de roteiros, separadas por região e por dia: 

 

DIA 1 – Distrito do Castelo (Hradcany) e Parque Petrin 

Parque Petrin (Petřínská rozhledna)

É lá que os Tchecos costumam aproveitar as tardes de verão. Começamos o passeio pelo Monumento às Vítimas do Comunismo, um grupo de sete estátuas que representam a degeneração que um regime daquele tipo provoca no ser humano. O monumento fica logo na subida do parque, perto do funicular. É super impactante!

Dali é só pegar o funicular pra subir até o parque (os bilhetes de transporte público servem pra ele). Cheio de jardins, cafés e boas atrações, como a miniatura de 60 metros da Torre Eiffel, e tem uma vista linda pra cidade.

Se você descer o parque, do lado oposto de onde pegou o funicular, vai chegar no Mosteiro, e é dali que o passeio continua. 

MOSTEIRO DE STRAHOV E BIBLIOTECA (STRAHOVSKÝ KLÁŠTER)

No distrito do Castelo fica o Mosteiro de Strahov e dentro dele uma das bibliotecas mais lindas que já vi na vida. Infelizmente o ingresso (100 CZK – cerca de R$13,00) só te permite chegar até a porta de onde tirei a foto abaixo, mas mesmo assim vale à pena. Você pode saber mais nesse link aqui. 

 

O Castelo (Prazsky Hrad)

O que chamam de Castelo é, na verdade, todo o distrito em si, incluindo as casinhas, igreja e lojas que compõem a região. O local já entrou no Guinness Book como maior castelo do mundo e é a atração turística mais importante de toda a República Tcheca.

Os bilhetes são vendidos por circuitos ou atrações individuais (saiba mais nesse link aqui). Compramos o Circuito A, o mais completo, por 350 CZK (cerca de R$46,00). Foram cerca de 3 horas passeando por lá, isso porque não conseguimos visitar os jardins, pois eles fecham no inverno.

Aqui nesse blog tem um ótimo post com informações sobre cada uma das atrações. O destaque pra mim é a Catedral de São Vito, linda de doer! 

Saindo do Castelo, desça pela rua Úvoz até a Cidade Baixa (Malá Strana), reparando nas esculturas em cima das portas das casas, que antigamente serviam para identificar a profissão dos seus moradores, e também nas lojinhas e cafés cheios de charme.

Outra maneira de chegar/sair do Castelo de Praga é pegar o Tram 22 e descer na estação Pražský Hrad ou o metro e descer na Malostranská.

 

Onde comer/beber

  • Klasterni Pivovar – a cervejaria do monges. Tomar uma cerveja de bluebery (70 CZK – cerca de R$8,50)
  • Vinho quente em alguma das biroscas do Distrito (40 CZK – cerca de R$5,00) 

 

Dia 2 – Cidade Baixa (Mala Strana) 

Um bairro cheio de charme com os melhores restaurantes e hoteis da cidade. Ótimo pra se perder pelas ruelas, descobrindo pequenos museus, cafés e restaurantes.  

Charles Bridge (Karlův Most)

Depois do Castelo, essa á a principal atração de Praga e uma das mais famosas pontes da Europa. Cheia de lendas e superstições, incluindo a de que ela começou a ser construída em 9 de julho de 1357, às 5h31, data essa que forma a sequência perfeita de números 135797531, e também a de que ela é perfeitamente alinhada entre a tumba de São Vito (o patrono de Praga).

O que tudo isso significa eu não sei. O fato é que a ponte é realmente lindíssima, repleta de estátuas de ouro e bronze, mas, infelizmente, também é lotada de turistas. Como eu não tenho muita paciência pra lugares assim, achei muito mais interessante atravessar a ponte Legii (Most Legii) e ver a Charles Bridge de outro angulo

John Lennon’s Wall

Bem pertinho da Charles Bridge fica um muro que contrasta com todo o resto da cidade. A John Lennon’s Wall foi grafitada pela primeira vez assim que o Beatle morreu, em 1980, mas logo foi apagada pelo Regime Comunista, que ainda dominava a República Tcheca. Sempre que o governo mandava limpar a parede, outras pessoas começavam a grafitá-la de novo e assim foi até o fim do Regime. Desde então o mural está lá e tem sempre alguém escrevendo uma mensagem de paz, amor e esperança. Um mural em constante transformação.

Igreja de São Nicolau (Chrám sv Mikuláse)

É a maior da cidade, toda em estilo barroco, com um órgão de 2500 tubos que já foi tocado por Mozart. O local está aberto das 9h às 16h durante o inverno e o ingresso custa 70 CZK (cerca de R$10,00).

onde comer e beber

  • Restaurante Vinograf – um bistrô delicioso e com ótimo serviço, indicação da minha amiga Carol, do blog Los Amantes Pasajeros . Tomamos vinhos variados e pedimos uma tábua de queijos diversos e saiu por 900 CZK total (cerca de R$115,00 pra duas pessoas).
  • Pub Zazemi – um pub meio inferninho, onde as pessoas podem marcar hora pra cantar ou tocar. 500ml de cerveja por 40 CZK (cerca de R$5,00). É super legal e a cara do Leste Europeu.
  • Restaurante Vysoky Dum – restaurante familiar de comida local, com atendimento excelente, o que é bem raro em Praga. Comemos Goulash no pão + carne de porco com repolho e dumpling + meia garrafa de vinho por 815 CZK (cerca de R$104,00 pra duas pessoas).  

 

Dia 3 – Cidade Velha (Staré Mesto) e Bairro Judeu (Josefov)

O local mais cheio de turistas e onde se concentram as principais atrações turísticas da cidade. Aquele lugar que você vai querer parar a cada esquina pra tirar uma foto.  

Circuito Judeu (Bairro Judeu)

A história do bairro judeu começou no séc. XII, quando os judeus eram obrigados a morar todos em um único bairro, praticamente um campo de concentração. Durante a II Guerra Mundial, Adolf Hitler preservou o bairro para que ele se tornasse “um museu da raça extinta”. Dizem que no cemitério há cerca de 12 camadas de terras, que foram colocadas de tempos em tempos para que todos os judeus pudessem ser enterrados em um único lugar.

Você pode caminhar pelo bairro gratuitamente, mas se quiser conhecer as 6 sinagogas (a mais bonita delas, a Espanhola) e o antigo Cemitério Judeu, o mais antigo do mundo,  tem que comprar o ingresso (mais informações nesse link). Vale muito à pena, principalmente se você se interessa por história.

Atenção: o local fecha aos sábados, o dia de descanso dos judeus.

 

Relógio Astronômico e sua torre (Stare Mesto)

Quando vi o relógio pela primeira vez achei bonito e tal, mas não entendi porque tantos turistas se aglomeravam por lá. Só depois, fazendo pesquisa de conteúdo aqui pro blog, consegui entender a complexidade desse relógio. Além do espetáculo de hora em hora, onde bonecos de madeira se apresentam aos turistas que se acumulam por lá, o relógio  mostra em qual estação do ano estamos, qual o signo zodíaco do mês, qual fase da lua e um monte de outras coisas super legais. 

Aproveite que está por ali e suba na torre para ter a vista mais bonita da Cidade Velha, com sua coleção de prédios coloridos e apaixonantes. O valor do ingresso é de 130 CZK (cerca de R$17,00).complexas.

Catedral de Tyn (Stare Mesto)

Ela pode ser vista de quase toda a cidade. Gótica por fora e barroca por dentro, diz a lenda que a igreja serviu de inspiração para Walt Disney para criar o castelo da Bela Adormecida. 

Abre das 10:00 às 13:00 e das 15:00 às 17:00 de terça a sábado e das 10:30 às 12:00 aos domingos.

 

Torre de Pólvora (Stare Mesto) 

Foi construída no Séc. XI como um dos portões da Cidade Velha. Durante o Séc. XVII foi usada como depósito para a pólvora dos canhões, por isso o nome.

Haja pernas pra subir a escadaria, mas de lá se tem um outro ponto de vista da Cidade Velha. O ingresso custa 90 CZK (cerca de R$12,00). Saiba mais nesse link aqui.

 

Municipal House (Stare Mesto) 

Umas das maiores construções de Art Nouveau da cidade e a mais linda que já vi, cheio de obras do artista tcheco Mucha. É lá que acontecem os maiores concertos de Praga.

É possível entrar e caminhar por alguns corredores e pelos cafés e restaurantes sem pagar, mas para conhecer as salas de concerto do prédio somente fazendo o tour guiado por 290 CZK ou assistindo a algum espetáculo. Mais nesse link aqui. 

 

Onde comer/beber: 

  • Café Nostress (bairro judeu) – Tem um visual clean e moderno, bem diferente dos outros locais de Praga. Tomamos 2 cappuccinos e 1 sanduíche de salmão delicioso por 250 CZK (R$32,00 pra duas pessoas).
  • U Tri Ruzi (Stare Mesto) – uma cervejaria (eles chamam de Pivovar) e restaurante, com comida e bebida excelente a preços justos.  2 cervejas e uma sopa de abóbora deliciosa por 180 CZK (cerca de R$23,00)
  • Trdelnik (Stare Mesto) – o doce típico da República Tcheca (na verdade, ele é um doce romeno mas foi em Praga que ficou famoso). A massa é parecida com um pretzel, polvilhado com açúcar e canela. Pode ser recheado com Nutella, caramelo, côco, geleia, etc. O de Nutella é de comer rezando. Vende em qualquer birosca do centro histórico, por cerca de 75 CZK (R$10,00). 

 

Dia 4 – Cidade Nova (Nove Mesto)

Um pouco menos turística, com museus interessantes, cafés famosos e aquelas grandes lojas de departamento da Europa.

Museu do Comunismo 

Um museu pequeno e pouco conhecido, guarda vários vestígios da Praga socialista e conta a história das quatro décadas de Comunismo na República Tcheca. Bandeiras e estátuas de ícones como Lenin e Stálin estão por lá, além da representação da “Primavera de Praga”, em 1968, e a “Revolução de Veludo”, em 1989. Se você é interessado nesse período da história, vai passar umas duas horas por lá. O valor do ingresso é de 190 CZK (cerca de R$25,00). Mais informações nesse link aqui. 

 

Cabeça de Kafka 

Kafka é o personagem mais famoso da República Tcheca. Por todos os lados você encontrará cafés com seu nome, museus e esculturas. A cabeça de Kafka é a obra de arte moderna mais incrível que já vi. Criada por David Cerny, tratam-se de 42 camadas de alumínio que giram e se transformam no rosto do autor. É de cair o queixo! Fica logo atrás do Shopping Quadrio. Saiba mais nesse link. 

 

Museu Mucha

Mais que um artista plástico, Mucha era designer e trabalhou para muitos teatros, fazendo não apenas os posters, mas também cenários e figurinos, além de ilustrar cartazes publicitários de algumas das marcas mais prestigiadas do século XX, como Moët & Chandon.

O artista Tcheco é um dos nomes mais reconhecidos da Art Nouveau. Nesse museu você encontra as lindas fotografias, desenhos e posters criados por ele. A entrada custa 240 CZK (cerca de R$32,00). Mais nesse link.

 

Casa Dançante 

Nada mais é do que um edifício em estilo moderno que recria os passos de uma dançarina. Vale passar por lá caminhando pela beira do rio Moldava num sábado de manhã e seguir até a feirinha orgânica que fica na beira do rio, todos os sábados.

 

Onde comer/beber

Café Lucerna – super tradicional e a cara da República Tcheca. Bom pra tomar umas cervejas baratinhas. Foi lá que tomei a melhor Pilsner Urquell de todas, por apenas 40 CZK (cerca de R$5,00). 

Café Louvre – outra local super tradicional, mas com um péssimo atendimento. Aliás, Praga coloca os garçons do Rio no bolso de tanta grosseria. Vale à pena pela arquitetura e pelo strudel de maçã, que foi o melhor que comi na vida! (69 CZK – cerca de R$9,00).

Vinoradisky Parlament – Uma cervejaria enorme, com comida sensacional e preço excelente. Tomamos 5 cervejas e pedimos dois pratos principais, total de 659 CZK (cerca de R$85,00 pra duas pessoas).

Comida de rua – o cachorro quente da barraquinha na Wencelaw Square é super concorrido (85 CZK – R$10,00). A pizzaria que tem ali pertinho fica aberta até tarde (20 CZK – R$2,50 a fatia)

U sudu –  um pub balada escondido dos turistas e frequentado por locais. Foi indicação de um amigo que morou na cidade. Quando você entra jamais imagina que, depois do balcão principal, tem outros diversos ambientes escondidos, um verdadeiro labirinto. Super diferente e interessante, o único inconveniente é o cigarro: como é permitido fumar em locais fechados em Praga (!!) e o local não tem janelas, não dá pra ficar por lá muito tempo ou você vai se intoxicar. 

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