Chapada dos Veadeiros: Restôs, hoteis e mais

por | mar 2, 2018

CHAPADA DOS VEADEIROS

Depois daquele incêndio horrível que aconteceu em outubro de 2017, a Chapada dos Veadeiros renasceu linda, colorida, cheinha de flores e de água.

cerrado

Um lugar mágico, inspirador, forte, bem no coração do Brasil! Terra do pequi, da matula, dos calangos e Kalungas. Lugar de todas as religiões e crenças. Terra sagrada pra quem é esotérico e objeto de estudo pra quem é ufólogo.

Estive pela primeira vez na Chapada há mais de 20 anos. Eram os idos de 1995 quando meu pai, que mora em Brasília há mais de 30 anos, levou as filhas pra passar um feriado naquela que era (e ainda é) considerada a praia do brasiliense.

Chapada dos Veadeiros

De lá pra cá já voltei outras duas vezes, a mais recente no último carnaval. Em todas elas fiquei hospedada em São Jorge, a entrada principal do Parque Nacional.

São Jorge Chapada dos Veadeiros

Se ainda hoje São Jorge é roots, imagina em 1995? Um vilarejo sem luz elétrica, com poucas casas e quase nenhum restaurante. Talvez o bar do Pelé já existisse, mas confesso que não lembro. O guru Prem Baba nem sonhava em abrir um retiro por lá.

Hoje, 23 anos depois, o vilarejo cresceu, já tem luz elétrica e vários restaurantes charmosinhos com WiFi, mas as ruas ainda são de terra e a vibe hippie continua firme e forte.

São Jorge Chapada dos Veadeiros

 

A fama esotérica

Essa vibe namastê harebo da Chapada deve-se em grande parte ao Paralelo 14, linha imaginária que atravessa Machu Picchu, no Peru, e também corta Alto Paraíso de Goiás. Além disso, o local está sobre uma enorme placa de quartzo que, segundo os místicos, protege a cidade de desastres naturais e proporcionam boas vibrações. Os cristais brotam do solo, em meio a rochas milenares e cachoeiras com águas cristalinas.

São Jorge Chapada dos Veadeiros

Já os ufólogos acreditam que o brilho dos quartzos pode ser visto do espaço e isso atrairia extraterrestres. Depois do show de luzes, explosões e raios que eu presenciei (vale dizer que sem o uso de qualquer substância ilícita) e que não emitiam um barulho sequer, acredito que os ET’s passem por lá de vez em quando.

 

O Parque Nacional e os arredores

A paisagem meio intergaláctica do Cerrado, desértica na seca e extremamente colorida na época das chuvas, além da exuberância das cachoeiras da região são totalmente impactantes.

O Vale da Lua nunca saiu da minha cabeça e continua sendo, pelas suas formações rochosas, uma das paisagens mais bonitas do Brasil. A flora característica do Cerrado, bem diferente desta vez por ser época das chuvas, do que quando fui a primeira vez – época da seca -, continuou prendendo meu olhar a cada flor de pequi ou das árvores retorcidas de pau-terra. As cachoeiras que aparecem no meio do nada, entre as centenas de cânions, me emocionaram tanto quanto quando eu tinha 14 anos de idade.

Vale da Lua Chapada dos Veadeiros

Diferente de outras regiões do Brasil, no planalto não vemos nenhuma montanha grande o suficiente que nos indique uma cachoeira de 100/120 metros de altura. Claro, trata-se de um planalto e, como o próprio nome já diz, estamos no topo. Nesse caso, no topo do Planalto Central, a 1700 metros acima do nível do mar. Isso significa que na Chapada, geralmente, chegamos às cachoeiras por cima e de lá vamos descendo até os poços. A natureza é de uma imensidão inexplicável.

Chapada dos Veadeiros

Patrimônio Natural da Humanidade, tombado pela Unesco, a área do parque abrange parte dos municípios de Alto Paraíso de Goiás, Campos Belos, Cavalcante, Colinas do Sul, Monte Alegre de Goiás, Nova Roma, São João d’Aliança e Teresina de Goiás. Os mais visitados são Alto Paraíso (incluindo aqui o distrito de São Jorge) e Cavalcante.

Mas há muito mais a se ver além do próprio parque. São mais de 2000 cachoeiras catalogadas na região. As trilhas podem variar de 1 a 23 km considerando ida e volta, com diferentes níveis de dificuldade. Há também aquelas trilhas mais longas, onde é necessário acampar.

Chapada dos Veadeiros

Dentro do parque o trekking é extremamente bem sinalizado e não é preciso guia. Algumas trilhas fora do parque também são bem sinalizadas, mas é preciso mais atenção pra não se perder, noutras é mandatório contratar um guia local.

Chapada dos Veadeiros

Muitas atrações ficam dentro de propriedades particulares, que cobram taxas de acesso. Geralmente custam de R$20,00 a R$40,00 por pessoa.

LEIA TAMBÉM: roteiro de 4 dias pela Chapada dos Veadeiros.

Como chegar

De Brasília a Alto Paraíso são 230 km pela GO-118 (marcado no odômetro do nosso carro). A estrada está em ótimo estado de conservação e é bem sinalizada.

Para chegar a São Jorge basta pegar a saída à esquerda do portal de Alto Paraíso e seguir por mais 30 km de estrada recém asfaltada, bem sinalizada e com redutores de velocidade. Tem até ciclovia e muita gente tem feito ciclo turismo por lá.

De Alto Paraíso para Cavalcante são mais 90 km pela GO-118.

Estrada para São Jorge Chapada dos Veadeiros

Para viajar pela Chapada de uma maneira eficiente é essencial ter um carro . Apesar das trilhas não serem tão longas, a distância para se chegar até o início dessas trilhas varia bastante. A maioria delas é, inclusive, fora das cidades.

 Chapada dos Veadeiros

 

Onde ficar

Alto Paraíso é a cidade com mais infra-estrutura, ruas asfaltadas e mais opções de hospedagem e comércio.

 

São Jorge é o distrito mais roots e a porta de entrada do parque. Tem ótimas opções de restaurantes.

 

Cavalcante fica a 90 km de Alto Paraíso seguindo pela GO-118. É mais simples, tem menos opções de restaurantes e comércio, mas é lá que fica a famosa cachoeira de Santa Barbara.

 

Onde comer e beber em São Jorge

A noite de São Jorge acontece na praça, em frente ao Bar do Pelé, onde rola música ao vivo e as pessoas ficam por ali nas ruas vivendo e convivendo.

Também rolam alguns eventos na Casa de Cultura e na Casa Amarela. Tem forró, tem samba de raiz, teve até maracatu durante o carnaval.

Dos restaurantes que estive indico:

Rústico – Pedimos uma fraldinha com legumes grelhados e farofa que saiu por R$27,00. As garrafas de vinho são caras, de R$120 pra cima, mas pode-se levar o próprio vinho e a taxa de rolha sai por R$30,00. Comida de primeiríssima qualidade e tem WiFi (que pega, inclusive, do lado de fora do restaurante 🙂 )

Bar do Pelé – o melhor pastel da região (carne com queijo), o bar mais lotado e aonde tem música ao vivo todas as noites.

Risoteria Santo Cerrado – O restaurante mais cheio do vilarejo. São diversas opções de risoto, todos super bem servidos. Pedimos dois pratos (o de carne seca e o de pequi) para três pessoas e foi suficiente. Só achei meio carinho, minha conta (sem bebidas) deu R$60,00.

Rancho do Waldomiro – Seu Waldomiro é o dono desse típico e rústico estabelecimento na beira da estrada de São Jorge. A matula, também chamada de feijoada do Cerrado, é o prato da casa. Servida na folha de bananeira, acompanha paçoca de carne seca (farofa), mandioca frita, abóbora cozida, arroz e tomate. Tudo produzido ali mesmo em sua terras.

Casa de Delícias – ótimo café da manhã. Os Paes caseiros são deliciosos. O de abóbora é o mais famoso.

São Jorge Chapada dos Veadeiros

O que conhecer

São mais de duas mil cachoeiras catalogadas na região, com trilhas de todos os níveis de dificuldade e distâncias variadas. A Chapada é um lugar pra todos. Por lá vi jovens viajando sozinhos, famílias com crianças de todas as idades, casais e também pessoas com dificuldade de mobilidade.

Fiz um roteiro de 4 dias pela Chapada, visitando as cachoeiras de mais fácil acesso. Ficaram de fora muitas que também são imperdíveis, porém são mais distantes, como: Segredo, Couros, Clodovil, Santa Barbara. Essas ficaram pra uma próxima visita.

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