O que fazer no Maranhão além dos Lençóis

por | maio 16, 2013

Minha avó materna nasceu no Maranhão e sempre me contou a história de como seu pai, maranhense, se apaixonou por sua mãe, uma boliviana filha de índios, e a trouxe para o Brasil. É daí que nasce minha paixão pelo nordeste e por tudo que já vivi por lá.

Na semana santa de 2013 fui, enfim, conhecer a terra de minha avó. Foram dois dias em São Luis e outros dois nos Lençóis Maranhenses, um dos lugares mais bonitos do mundo.

Lençois maranhenses

A passagem pra São Luis custou a bagatela de R$300,00 (Rio – São Luis – Rio), comprada com antecedência. Dica do Melhores Destinos. Se cadastra lá pra receber a newsletter e ficar por dentro das promoções!

O aeroporto de São Luis é bem localizado, a apenas 13 Km do centro histórico. O táxi até lá sai por R$40,00. Salgadinho, mas como pegamos um vôo noturno, era a forma mais segura de chegar na pousada.

Ficamos na pousa Portas da Amazônia, um casarão do século retrasado, cheio de charme, bom preço, quartos amplos, decoração linda de viver, atendimento excelente e próximo de vários pontos turísticos. À noite o anexo da pousada vira uma pizzaria à lenha das boas.

São Luis do maranhão

A melhor forma de conhecer o centro histórico de São Luis é a pé. Apesar de se ouvir por ai que ele foi revitalizado, muitos sobrados estão em ruínas e sofrem com o descaso. Além disso, o local é um tanto quanto perigoso até mesmo pra quem está acostumado com a pivetada carioca. Então, fique ligado em quem está a sua volta.

Fora isso, o passeio pelo bairro enche os olhos de qualquer apaixonado por arquitetura e amante de fotografia. Cada esquina, eiras, beiras e azulejos portugueses (aliás, o maior conjunto arquitetônico de azulejos portugueses da América Latina) são dignos de quantas fotos seu cartão de memória suportar. E se você gosta de museus, igrejas e artesanato, é certamente o melhor lugar pra se ver na cidade. O Convento das Mercês, a Casa das Tulhas, as igrejas do Rosário e do Desterro, a Casa das Minas, das Fontes e das Pedras, o Teatro Artur Azevedo e o Palácio dos Leões (sede do governo do estado) valem a visita.

são luis do maranhão

Mas você está no nordeste, né! E aí vem aquela imagem na sua cabeça de uma praia de água transparente e morninha, com coqueiros debruçando sobre a areia. Bem, sinto lhe decepcionar, São Luis não passa no quesito “Paraíso Tropical de mar transparente e água morninha”. Mas, apesar das praias não serem lá essas coisas, o mar do Maranhão é um mistério à parte. A maré baixa de tal forma que o mar parece secar e a qualquer momento um tsunami pode surgir. Você anda, anda, anda e anda mais um pouco e não molha nem o tornozelo na maré baixa. Vale sentar numa das barracas da praia do Calhau, provar as caipis de frutas típicas, admirando o fenômeno da maré secante.

Se você também é da noite, não deixe de conhecer as famosas radiolas, casas noturnas que tocam reggae de raiz. São Luís tem o título de “Jamaica brasileira” e o maranhense dança um reggae grudadinho, quase um forró, que vai ser impossível você não soltar o corpo ao som de Bob Marley e companhia. É, no mínimo, um programa exótico a se fazer.

 

nos arredores da capital

Dois lugares imperdíveis próximos a São Luis são Raposa e Alcântara. Raposa por ser a maior vila de pescadores do maranhão, onde as rendeiras de bilro expõem e vendem suas obras primas. Um passeio de poucas horas que podem render boas compras.

Você pode chegar lá de ônibus (saindo do Mercado Central – RS2,10 – 1h40 de viagem pinga-pinga) ou de táxi (que foi minha opção – R$100,00 o passeio completo)

Já Alcântara é uma cidadezinha histórica linda de viver. Reserve um dia inteiro para o passeio, pois você vai depender da tábua das marés pra chegar até lá. De São Luís há duas formas: de lancha ou por balsa (a forma mais barata – R$12,00, saindo do cais da Praia Grande e leva cerca de 1 hora). Logo no porto você será recebido por um guia local que te contará as melhores histórias do vilarejo.

Não perca: o doce de Espécie. Feito à base de côco, crocante por fora e molhadinho por dentro, o doce, de herança portuguesa, só existe na região e é de comer rezando.

alcantara

 

de São Luis aos Lençóis Maranhenses

São 155 mil hectares de paisagem deslumbrante. Parece um grande deserto, com centenas de quilômetros de dunas, mas chove 300 vezes mais do que no Saara. E aí que está a beleza do lugar, com piscinas naturais gigantescas, que variam entre os tons de verde e azul, formando verdadeiros oásis tropicais. Algumas lagoas chegam a ter peixes, sabe-se lá como.

Por mais que fotos, folhetos de viagem ou documentários tentem mostrar a beleza dos Lençóis Maranhenses, você só vai entender do que se trata quando vir ao vivo.

lençois maranhenses

Barreirinhas é a cidade de mais fácil acesso até o parque e com melhor infraestrutura. Nos hospedamos na Pousada do Rio. Cerca de R$130,00 o quarto duplo, apartamentos simples e confortáveis. Não é tão próxima ao centrinho de Barreirinhas, o que pode ser uma desvantagem pra quem chega cansado dos passeios e tem que sair pra jantar à noite, mas é debruçada sobre o Rio Preguiças.

Como só tínhamos dois dias, escolhemos os passeios mais conhecidos: Grandes Lençóis e Caburé.

Nos grandes Lençóis ficam as Lagoas Azul e Bonita, as mais famosas da região. O jipe te pega no hotel, atravessa o Rio Preguiça e percorre uns 30 minutos de estrada de areia até um determinado ponto, onde o passeio continua a pé.

Dica nº 1: Prepare as pernocas porque você vai subir e descer dunas e mais dunas até quase desmaiar. Preparo físico e disposição são importantes.

Dica nº 2: Passe protetor solar porque o sol vai te lascar o couro.

Dica nº 3: Leve água e comida, pois não uma vendinha sequer na região e, provavelmente, você vai passar o dia inteiro por lá.

Já o passeio para Caburé é feito de voadeira pelo Rio Preguiças, com parada no munícipio de Vassouras, onde ficam os pequenos Lençóis a Tenda dos Macacos, onde você pode alimentar macaquinhos domesticados, e em Mandacaru. Antiecológico, mas fofo!  O fim do passeio é no vilarejo de Caburé, no meio de lugar nenhum. O passeio de triciclo é o ponto alto da parada. Além de toda aquela praia deserta, só pra você.

lençois maranhenses

 

Que a força do medo que tenho, não me impeça de ver o que anseio.
Que a morte de tudo em que acredito não me tape os ouvidos e a boca.
Porque metade de mim é o que eu grito, mas outra metade é silêncio.

(Ferreira Gullar – poeta maranhense)

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