Leste Europeu, um roteiro para iniciantes

por | dez 21, 2016

JONH LENNONS WALL

Leste Europeu é um caos apaixonante. Histórias um tanto tristes, holocausto, guerras, comunismo e idiomas indecifráveis, completamente diferente dos vizinhos do norte, que, inclusive, têm bastante preconceito com alguns dos ex-países comunistas, repletos de ciganos. Em novembro de 2016 passei 3 semanas por lá. Como estou numa fase slow trip, de ir a menos lugares pra ficar mais tempo em cada um, escolhi 4 das principais cidades da região: Praga, Viena, Bratislava e Budapeste. Esse costuma ser o roteiro escolhido pela maioria das pessoas que vai pela primeira vez ao Leste da Europa. São cidades mais globalizadas, com turismo em alta, onde dá pra se virar em inglês. Ótimas para mochileiros(as) viajando sozinhos. Além disso, como os países tem um passado em comum, pois fizeram parte do Império Austro-húngaro, a história vai se complementando ao longo da estrada e é super interessante ouvir os diferentes pontos de vista de um assunto tão importante.

o roteiro

Comecei meu roteiro por Praga, na República Tcheca, e foi uma boa introdução para as cidades que eu iria posteriormente. Quando for planejar sua viagem o ideal é que você compre um vôo com múltiplos destinos (ex: SP-Praga, Budapeste/SP), para otimizar seu tempo. Foram 5 dias/6 noites em Praga, 6 dias em Viena, 1 e 1/2 em Bratislava e 7 em Budapeste (nessa ordem). Desse roteiro eu talvez aumentaria um dia em Bratislava e diminuiria um em Budapeste. Mas, veja bem, eu tinha tempo de sobra. Se não é o seu caso, sugiro ficar 4 dias em Praga, 5 em Viena, 2 em Bratislava e 5 em Budapeste, sem contar os tempos de deslocamento. Menos do que isso, é muita correria.

Leia também: O que fazer em Viena gastando pouco

deslocamentos entre os países

A Europa é conhecida pelo bom serviço das suas ferrovias, que são realmente incríveis. Mas você já pensou em viajar de ônibus por lá? Eu resolvi fazer o teste e achei maravilhoso. Fiz todos os deslocamentos entre os países com a companhia Student Agency || Regio Jet. Apesar do nome e do baixo custo, não se trata de uma empresa para estudantes. Os ônibus são extremamente confortáveis, têm serviço de bordo com água, bebidas quentes e jornais gratuitos, TVs em todas as poltronas e, o melhor de tudo, têm WiFi. O único inconveniente é que não há banheiro e eles não costumam parar em postos de conveniência, como no Brasil.

Comprei todas as passagens através do site deles, nesse link aqui. Mas dá pra comprar na hora, pagando direto ao comissário de bordo (sim, os ônibus têm um comissário de bordo). Além de todo o excelente serviço, os valores das passagens foram baratíssimos:

  • Praga / Viena – 15€ – 4 horas de viagem
  • Viena / Bratislava – 5€ – 50 minutos de viagem
  • Bratislava / Budapeste – 10€ – 3 horas de viagem

deslocamentos dentro das cidades

Já para os deslocamentos internos, eu usei um pouco de tudo. Todas as cidades são muito bem servidas de bondes, ônibus, metrô e trens, que passam sempre pontualmente, inclusive em horários noturnos. Em Praga usei o transfer do aeroporto até o hotel (que o próprio hotel disponibilizou) e o bonde para voltar do hotel pra rodoviária. Dentro da cidade só usei o bonde (ou tram). Os tickets podem ser comprados em diversas lojas de conveniência. Existem bilhetes de 30 min., 90 min., 24 horas e 72 horas. Os de 30 minutos são os mais baratos (24 CZK – cerca de R$3,10) e mais convenientes, pois dificilmente você vai pegar mais do que dois transportes por dia. Mais informações você encontra nesse link.

Em Viena usei metrô da estação de ônibus até a casa em que fiquei hospedada, perto da estação Wien Mitte. Depois variei entre metrô, ônibus e bonde pra me deslocar dentro cidade. Você pode comprar o bilhete unitário por 2,20€, o de 24 horas por 7,60€, 48 horas por 13,30€, 72 horas por 16,50€ ou semanal por 16,20€, que é válido para todos esses transportes públicos. Como eu gosto de andar bastante, comprei alguns bilhetes unitários e um de 24 horas. Mas, se você não gosta, vale comprar o bilhete relativo ao número de dias que vai ficar na cidade.

Em Bratislava não usei nenhum tipo de transporte. Como fiquei somente 1 dia e meio e tanto o hostel quanto a estação de ônibus eram próximas ao centro histórico, fiz tudo à pé. A capital da Eslováquia me passou a sensação de ser um pouco mais complicada em relação ao transporte público, mas pode ser só sensação.

Em Budapeste foi um pouco mais complicado sair da rodoviária em direção ao hostel, no bairro judeu. O ônibus vindo de Bratislava te deixa a uns 200 metros da rodoviária. A estação de metrô fica ali pertinho, mas quem disse que você enxerga ou entende aonde ela está? O idioma é uma barreira grande na Hungria. Mas uma vez que você encontra o metrô, fica mais fácil encontrar quem fale inglês e te dê um mapa com as instruções. Os valores dos bilhetes em Budapeste são extremamente complicados de entender. Como só me locomovi de bonde e metrô (este apenas no retorno ao aeroporto), preferi comprar alguns bilhetes unitários (que, atenção, não valem para integrações), por 350 HUF cada (cerca de R$4,00). Você encontra mais informações nesse link.

Em qualquer dessas cidades você pode comprar os bilhetes diretos nas máquinas que ficam nas estações, com dinheiro ou cartão, e todas têm opção de vários idiomas. Nem todas as estações terão um guichê com alguém para lhe atender. Lembre-se de validar o bilhete assim que entrar no transporte público. Apesar de eu não ter visto fiscais por lá, se você for vistoriado e seu bilhete não estiver validado terá que pagar uma multa de cerca de 40€. Conheço algumas pessoas que já foram multadas.

onde se hospedar

Com exceção de Viena, onde fiquei hospedada na casa de uma amiga, nas outras cidades fiquei em hostel e apartamento. Em Praga fiquei no Apartments Emma,  um prédio de 1902 onde antes funcionava a padaria da família do húngaro Vaclav, dono do local. Encontramos esse apartamento no Booking.com com notas acima de 9 e logo entendi porque. Vaclav nos buscou no aeroporto no horário combinado e seguiu até o apartamento nos contando um pouco sobre a história da cidade e do país e indicando os pontos turísticos, os melhores restaurantes e como se locomover por lá. Uma verdadeira aula de história, praticamente um guia, sem nos cobrar nada por isso. Os apartamentos são super aconchegantes, limpos, bem decorados, com facilidades de cozinha e banheiro (inclusive secador de cabelo), serviços de lavanderia gratuito e WiFi. Um verdadeiro achado que nos custou a bagatela de  4.000 CZK (cerca de R$525,00 por 6 noites, pra duas pessoas). O local fica a 10 minutos de bonde da Charles Bridge. Talvez não seja o ideal para quem vai ficar apenas 3 dias na cidade, mas é uma área residencial ótima praqueles que gostam de ter contato com o povo local quando viajam. Além disso, se você ficar mais de 4 noites, ganha o transfer do aeroporto gratuitamente.

Em Bratislava fiquei no Hostel Blues, que achei pelo Hostel.com. Os atendentes foram super simpáticos, o local é limpo e tem um ótimo bar no térreo. A localização é perfeita pra quem só vai passar uma noite na cidade, bem entre o centro histórico e a rodoviária. Além disso, foi super baratinho 13€ (cerca de R$50,00).

Em Budapeste fiquei no melhor hostel onde já estive na vida. Melhor, inclusive, do que muitos hotéis. O Maverick City Lodge fica localizado no bairro judeu, a região mais hipster e cheia de bares da cidade. O hostel oferece diversas opções de entretenimento, tem um restaurante divino (tomei café da manhã todos os dias por 5€. Uma comida espetacular (estilo chef de cozinha), super limpo, organizado, WiFi em todas as áreas e, o melhor, cada uma das camas é fechada com cortinas, tem sua própria luminária e tomada, assim ninguém atrapalha ninguém no quarto. Fiquei 7 noites e paguei 70€ no total (cerca de R$280,00). Se eu pudesse dar uma nota maior que 10 pra esse hostel, eu daria!

Eu sempre pesquiso a hospedagem no Booking.com ou o Hostel.com, tento ficar em locais centrais, e com avaliação acima de 8.50. É muito importante ler os relatos de outros hóspedes pra não cair em furada.

quanto custa

O Leste Europeu é bem barato (com exceção de Viena). Você pode trocar seus Euros comprados no Brasil em qualquer casa de câmbio (prefira aquelas que não estão nos aeroportos ou estações de trem, pois estas têm taxas mais caras. Caso você não tenha Euros em cash, é possível sacar em qualquer ATM, aqueles caixas de bancos que ficam espalhados por todos os lados. Essa foi a minha opção, já que o dinheiro que levei do Brasil havia acabado há muito tempo. Viena e Bratislava usam Euro, Praga usa a Coroa Tcheca, Budapeste usa o Forint Húngaro. Para se ter uma ideia, os valores do café espresso, em novembro de 2016, variavam entre:

  • Praga: de 50 CZK a 70 CZK (entre 7 e 10 Reais)
  • Viena: de 2,50 € a 5,00 € (entre 9 e 18 Reais)
  • Bratislava: de 1,50 € a 2,50 € (entre 5 e 8 Reais)
  • Budapeste: de 400 HUF a 600 HUF (entre 4 e 7 Reais)

Parece caro, mas na verdade não é. Em Praga, por exemplo, a cerveja não custa mais de R$8,00 por 500 ml (mais barata que o café), em Budapeste o hostel maravilhoso custou menos de R$40,00 por dia, em Bratislava o jantar com cerveja custou R$35,00. Em Viena dá pra assistir a Ópera de graça (vou contar sobre isso no próximo post).

A média dos meus gastos diários, incluindo hotel, transporte público, refeições, guloseimas, bebidas e atrações turísticas diversas, foi a seguinte:

  • Praga – 1.100,00 CZK/dia (cerca de R$145,00 / dia)
  • Viena – 37,00 €/dia (cerca de R$130,00 / dia) – OBS: em Viena eu não tive despesa com hotel, atente-se que os valores de hospedagem são altíssimos por lá.
  • Bratislava – 20,00 €/dia (cerca de R$70,00 / dia)
  • Budapeste – 11.500,00 HUF/dia (cerca de R$130,00 / dia)

TOTAL de 19 dias de viagem – R$2.700,00 (sem contar a passagem aérea) 

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