Guiana Francesa, um guia rápido do que fazer por lá

por | maio 10, 2011

Montjoly

Sabia que existe um território pertencente à União Europeia aqui na América do Sul? A menor das 3 Guianas, a Francesa, é um território ultramarino da França, o maior e mais antigo.

Visitei o país a trabalho nos idos de 2006. Eu, uma recém-formada em jornalismo, com vinte e poucos anos, fui convidada a fotografar (ainda com câmera analógica, diga-se de passagem) para um livro da empresa onde trabalhava.

Cayenne

Era a minha segunda viagem internacional na vida. Quem diria que eu continuaria viajando a trabalho para países pouco explorados pelo turismo? Coisas de jornalista.

Cafés e ruas em estilo francês, misturados com os costumes locais, a dança e a música caribenha, a Guiana francesa é um pouco disso tudo. É também visto como uma terra de oportunidades para brasileiros em busca de trabalho e de melhores salários, já que a moeda que opera é o euro.

CAYENNE

São milhares de brasileiros residindo no território. Como não há nenhum acordo político entre o Brasil e a Guiana Francesa, grande parte de quem foi para lá está ilegal. Das 3 Guianas, é a francesa que impõe maiores restrições a entrada de estrangeiros, inclusive para turistas, que precisam de visto para visitar o país.

Cayenne

Foram poucos dias na Guiana Francesa, onde conhecemos as duas principais cidade: Caiena e Kourou.

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Caiena, a capital da Guiana Francesa

Chegar em Caiena, a capital, não é rápido pra quem parte do Rio de Janeiro. É preciso pegar um vôo pra Belém e de lá pra Caiena. A Azul e a Surinam Airways fazem o trajeto.

O vôo de Belém a Caiena dura pouco mais de uma hora. O aeroporto fica a 20 minutos do centro da cidade. Naquela época, os táxis eram extremamente caros e os motoristas, em sua maioria, só falavam francês ou kréyòl, um crioulo com base francesa. Vale mais a pena alugar um carro no aeroporto.
Cayenne

A Praça das Palmeiras é a principal da cidade, é onde fica a maior parte do comércio local, entre eles o do brasileiro Roberto Carlos. O senhor, com nome de rei, tem uma loja no prédio que foi o primeiro consulado brasileiro no país.

Nos arredores da praça vale caminhar pela prefeitura, subir até o reservatório de água, de onde se tem uma vista linda da cidade, e descer até o litoral, pra ver o pôr-do-sol.
Cayenne
Outros lugares que valem a visita são o Jardim Botânico, o Museu da Antropologia, o Fort Ceperón e o Museu da Cultura Guianense, que conta a história da escravidão, mostrando cenas de viagens em navios negreiros, inclusive a gravura de Debret da boutique do Valongo, no Rio, onde os escravos eram expostos e oferecidos à venda
Cayenne
A capital da Guiana Francesa é uma cidade hospitaleira, com poucas exceções. O Village Chinois, também chamado de Chicago, é uma área mais decadente, a mais perigosa da cidade.

A praia de Montjoly, uma das melhores pra banho, fica a 4 km do centro. Lá é onde a população local passa seus domingos de sol. É lá também que fica o melhor hotel da cidade, o Grand Hotel Montabo (clique aqui pra reservar), são quase 200 apartamentos, salões de festas, jardins tropicais às beira da piscina. Os hóspedes são, predominantemente, franceses que vão à Caiena de férias ou a trabalho.

MOntjoly

Kourou e o centro espacial

De Caiena a Kourou são 60 km de distância. Na época (em 2006) a única forma de chegar eram com as vans estacionadas na Avenida Liberté, que só partiam quando lotavam, o que nos fez esperar por mais de duas horas, com sol à pino.
A principal atração da cidade é o Centro Espacial de Kourou, o principal centro espacial europeu. A cidade foi escolhida como sede devido a sua localização estratégica na linha do Equador, longe de tempestades tropicais e de zonas de terremotos e com 50km de frente pro Oceano Atlântico
cayenne

É possível fazer um tour guiado pelo centro espacial e conhecer as principais instalações do complexo. No tour podemos ver o funcionamento da base espacial, seus impactos e efeitos na economia da região, que foram gigantescas. Até a década de 60, Kourou era uma comunidade decadente. Em 1964, o governo francês construiu o centro espacial, o que transformou o local no segundo município mais populoso do país, depois de Caiena. Tem até um bairro brasileiro, o Village Brésiliènee.
Kourou
Do porto de Kourou saem os barcos para as ilhas Salut, um conjunto de três pequenas e paradisíacas ilhas perto da costa: Ile Royale, Ile Saint-Joseph e Ile du Diable, famosas por abrigarem os condenados do império francês e palco de todo o tipo de brutalidade contra a população carcerária.

Entre os séculos 19 e 20, o local recebeu quase 100 mil prisioneiros, dos quais um terço jamais voltou para casa. Os que sobreviviam às sentenças iniciais tinham que permanecer na região, como exilados, pelo mesmo período.  A maioria deles morreu por lá. Muitos de malária ou febre amarela. As prisões foram extintas somente no meado do século XX.

Kourou
Curiosidade

Existe uma ponte entre o Brasil e Guiana Francesa que nunca foi usada. Concluída em 2012, serviria para facilitar o intercâmbio entre os países. Mas a construção com 378 metros de comprimento nunca foi inaugurada e o seu uso está proibido até hoje. Turistas e moradores das cidades vizinhas, Oiapoque, no Brasil, e St. Georges, na Guiana Francesa, continuam a realizar a travessia do rio de lancha ou barco.

Guiana francesa

 

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