Bangkok: Um guia completo pela capital tailandesa

por | mar 5, 2017

Comida deliciosa, templos lotados, as melhores massagens do mundo e muitas compras, isso é Bangkok.
A camiseta com os dizeres Same Same estão por todos os lados. Happy hour! Happy hour! É o que mais se escuta dos garçons, tentando convencer os turistas a entrarem em seus bares. Tuk tuks coloridos disputam clientes quase que a tapa. Selfies, sefies e mais selfies na frente do Buda mais bonito lotam TO-DOS os templos da cidade. Bangkok é assim: same, same, but different. Diferente de tudo que eu já havia visto na vida. E ganhou meu coração no primeiro minuto.

Grand Palace em Bangkok

A Tailândia povoa o imaginário de muita gente pela fama de suas praias, que de fato são lindas (e também lotadas). Mas antes de embarcar pra lá, em janeiro de 2017, ouvi de um amigo mergulhador que mora no país há muitos anos: “Você é do Brasil, onde existem algumas das praias mais lindas do mundo, então não espere ficar de queixo caído com as praias Tailandesas. Não será nada muito diferente do que você tem no quintal da sua casa”.

Ele tinha razão. São lindas? Sim. Mas, digamos a verdade, quem tem Fernando de Noronha, Ilha Grande, Búzios, Boipeba e cia a um vôo doméstico de distância de casa, deveria pensar duas vezes antes de atravessar o mundo em busca APENAS das praias Tailandesas.

O país é muito mais que isso, a começar por sua capital. Bangkok é uma mistura de caos com espiritualidade que intriga. Uma cidade meio suja, bagunçada, com gente do mundo inteiro em busca de massagens, compras, roof tops, sexo, drogas, rock and roll e selfies em templos budistas. Com comida tailandesa de verdade, não aquela que você come num restaurante “super cool” próximo de casa. Onde os monges, os casais viajando com bebês de colo, os gringos mochileiros enchendo a cara na Khaosan Road e as lady boys que querem os gringos que enchem a cara na Khaosan Road convivem no mesmo espaço, pacificamente. E falta espaço pra tanta gente. Uma cultura totalmente diferente da ocidental.

Templo Wat Pho em Bangkok

A capital da Tailândia é o tipo de lugar que você não fica entediado um minuto sequer.  Há uma lista infindável de atrações e é impossível conhecer tudo em pouco tempo, assim como qualquer grande cidade enorme e caótica. Por isso, antes de embarcar é essencial planejar o roteiro pra não ficar perdido (e apaixonado) pela cidade.

4 dias é o mínimo para se conhecer correndo as principais atrações da cidade. Esse foi o pouco tempo que tínhamos disponível.

Como Bangkok foi nossa porta de entrada e saída do sudeste asiático, reservamos 2 dias na chegada e outros 2 na saída. Os dois dias no final foram por pura e espontânea pressão minha ao meu namorado, porque eu queria ir às compras. Pra quem gosta de comprar, Bangkok é o paraíso da Terra. Tem de tudo. Tudo mesmo!

13 horas de viagem, uma escala em Nova Delhi e 6 horas a frente no fuso horário separam Londres (onde eu passava alguns meses) de Bangkok. É uma saga chegar do outro lado do mundo, mesmo pra quem já está na metade do caminho.

Ruas de Bankok

 

como se locomover

A viagem de Londres a Nova Delhi pela Jet Airways foi ótima, avião confortável, serviço bom e vôo tranquilo. Mas o tempo de espera na capital indiana, as intermináveis filas na imigração e o vôo lotado de Delhi pra Bangkok foram terríveis. Há de se ter paciência e desapego pra viajar praquelas bandas.

O aeroporto de Bangkok é bem organizado, sinalizado e conta com transporte público e muitos táxis disponíveis. Logo do lado de fora do desembarque tem uma máquina aonde você retira um ticket mostrando em qual baia seu táxi te espera. Não há filas, nem tempo de espera pro taxi chegar, ele já estará na sua baia a sua espera.

Bom por um lado, ruim por outro. Você pode cair na mão de um motorista que não fale nada de inglês, que não saiba ler o alfabeto ocidental e aí só Buda (ou Google maps) salva.

Transporte público em Bangkok

A corrida do aeroporto até nosso hotel, que ficava próximo à Khaosan Road, levou cerca de 40 minutos e custou 400 BAHT – cerca de 40 Reais (70 de pedágio, 280 da corrida e 50 da comissão do motorista – o motorista recebe uma comissão pela corrida e a informação está explicita no ticket que você retira daquela máquina do aeroporto).

Outra opção pro traslado aeroporto – hotel são os ônibus especiais que desembarcam na Khaosan Road. Eles custam cerca de 130 BAHT e demoram o dobro do tempo de viagem. Tem um quiosque no desembarque com informações de horário, valores e rotas.

Dentro da cidade existem diversas formas de se locomover e a escolha vai depender do hotel onde estiver. Tem Skytrain, barco, ônibus. Tem tuk tuk dirigindo loucamente, uber e taxi também. Os preços do tuk tuk e taxis são sempre negociáveis. O ônibus foi o mais difícil de entender, pois poucos turistas pegam e quase ninguém fala inglês no país. O único meio que não usamos foi o skytrain, pois estava fora de nossa rota.

É importante lembrar que sulamericanos são obrigados a apresentar a carteira de vacinação com a vacina de febre amarela em dia na imigração do aeroporto. Não, eles não estão preocupados que você se contamine com febre amarela por lá, mas sim que nós a levemos do Brasil pra Tailândia. Passe no posto de saúde antes de passar na imigração, pois senão terá que voltar e enfrentar a fila toda de novo.

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Tuk Tuk em Bangkok

 

oNDE SE HOSPEDAR

Bangkok é gigantesca. A escolha certa da localização do hotel terá uma influência em seu roteiro pela cidade. Nem todos os lugares tem transporte público ou são seguros de se andar a noite ou sozinho, então uma escolha errada pode limitar seu raio de movimentação.

O hotel que ficamos na primeira parada na cidade ficava a cerca de 10 minutos a pé da Khaosan Road. Um muquifo xexelento que não lembro nem o nome, mas essa era a experiência que queríamos viver. Comida de rua, lady boys, gringos bêbados, festa estranha com gente esquisita, foi bem no meio desse fuzuê que nos hospedamos.

Já o hotel que ficamos na segunda parada, depois do mês viajando por Camboja e Vietnam, ficava numa região menos turística e mais próxima do bairro de Siam, onde ficam os grandes shoppings. O hotel The Seven Luck é super bem localizado, limpo, organizado, confortável e com ótimo custo x benefício

Por do sol em Bangkok

O QUE FAZER

1 – khaosan road E RAMBUTTRI STREET

Já era tarde da noite quando deixamos as coisas no quarto e saímos pra explorar Bangkok. Àquela altura só um lugar poderia estar “aberto”: a mítica Khaosan Road.

Se você é do Rio de Janeiro, Minas Gerais ou Espirito Santo, já deve ter frequentado a Região dos Lagos (no Rio) na década de 90 e deve se lembrar de Rio das Ostras e Cabo Frio da sua adolescência. Aquele fuzuê de gente na rua enchendo a cara, música altíssima vindo dos bares e dos carros estacionados em qualquer lugar, comida de rua vendendo todas as laricas do mundo, isso é a Khaosan Road, just like Brasil. Com uma diferença: gringos e tuk tuks.

É um lugar pra se jogar, se você é xovem e seu fígado ainda aguenta o tranco, ou pra chegar, dar umas boas gargalhadas e seguir em frente. O fato é que, uma vez em Bangkok, você vai passar por lá (e nem pense em não viver essa experiência antropológica).

Turistas se divertindo na Khaosan Road em Bangkok

Paralela à Khaosan fica a Rambuttri, uma rua bem menos movimentada, mais fofa e limpa, com restaurantes charmosos e umas dezenas de casas de massagem. Foi na Rambuttri que provei pela primeira vez na vida a tão famosa comida Tailandesa. Fried Rice, Pad Thai, Green Papaya Salad, uma explosão de sabores (e pimenta).

O valor do banquete? 560 BAHT (cerca de 60 Reais pra duas pessoas). Foi ali que confirmamos o que já e sabido por aí: é muito barato viajar pelo sudeste asiático.

Estive num restaurante tailandês no Rio logo que voltei pro Brasil e digo: o que comemos aqui não é comida tailandesa e ponto. Até eu, que não curto pimenta, amei a comida de lá, provada na fonte.

Camila Cesarino

 

2 – massagens

Assim como o Brasil, a Tailândia tem suas famas, e a de ser o país com a melhor massagem do mundo está entre elas. Tem de todos os tipos: nos pés, nos ombros, de corpo inteiro, de peixes. Os locais de massagem estão por todos os lados, desde aquários no meio da calçada, com peixinhos que irão comer suas cutículas ali mesmo, até espreguiçadeiras lotadas de turistas em transe com as massagens nos pés. Tem casas mais luxuosas e outras que parecem nada mais que um salão de beleza. O fato é: são as melhores e mais baratas massagens do mundo.

Massagens em Bangkok

3 – os templos

Estivemos na Tailandia pouco mais de um mês após a morte do Rei Bhumibol Adulyadej, que governou o país por 70 anos. O status quase que divino do monarca deixou a população extremamente abalada com sua morte. O luto se estenderia por um ano. Homenagens ao Rei, com fotos, altares e flores estavam espalhadas por toda a cidade.

Naquela segunda-feira de manhã, milhares de tailandeses vestiam preto e seguiam em fila até o Grand Palace para ver o corpo do rei, que ainda era velado no local. Foi ali que comecei a entender a espiritualidade budista do país. Uma população inteira chorando a morte do seu líder. Fiquei imaginando que reação teríamos se isso tivesse acontecido no Brasil…

Povo de Bangkok durante velório do Rei

Os templos de Bangkok são incrivelmente bonitos, porém insuportavelmente lotados. Se a sua intenção é tirar uma selfie ao lado do Buda Deitado, vá em frente. Mas se a sua intenção é viver uma experiência espiritual de verdade, lá não é o seu lugar. Templos tão bonitos quanto, sem turistas e onde você pode, inclusive, meditar junto aos monges, tem aos montes no Camboja.

Mesmo assim, depois de atravessar meio mundo, eu quis conhecer os famosos templos da cidade. Aqui vai um pouquinho da minha visão sobre cada um deles: 

Grand Palace

Antiga residência real, um lugar incrivelmente bonito, com a maior variedade de Budas e templos por metro quadrado, mas extremamente lotado e desagradável. Não importa a hora, é sempre cheio!

Li em vários blogs que alguns tailandeses espertinhos tentam aplicar o golpe da calça. É o seguinte: lá faz um calor dos infernos, então os ocidentais desaviados obviamente saem de bermuda e camiseta. Nesses templos você só pode entrar com as pernas e ombros cobertos, então os malandros tentam te vender calças e blusas pelas ruas. Não compre! O próprio Grand Palace te empresta essas calças, basta deixar um depósito de 200 BAHT que eles devolvem na volta. Mas prepare-se pra enfrentar uma super fila se quiser pegar a tal calça emprestada.

Valor do ingresso: 500 BAHT

Grand Palace em Bangkok

 

Wat Pho

É o maior e mais antigo templo de Bangkok. É lá que fica o famoso Buda Reclinado. É bem pertinho do Grand Palace, igualmente lindo e um pouco menos cheio.

Outro tipo de golpe que tentam aplicar nos arredores dos templos é te abordarem perguntando pra onde estão indo, pretendendo que querem te ajudar. Daí você fala: Wat Pho! O malandro, então, diz que o lugar está fechado e tenta te convencer a ir com ele a outro templo. Não vá! É tudo mentira. Continue com teu roteiro e não dê ouvidos aos malandros do tuk tuk.

Valor do ingresso: 100 BAHT

Templo Wat Pho em Bangkok

 

Wat Arun

Fica do outro lado do Rio Chao Phraya. É lindo vê-lo de longe, ao sol poente ou nascente.

A expectativa: fazer um passeio de barco romântico até o outro lado do Rio e curtir a energia de um dos templos mais importantes de Bangkok.

A realidade: foi uma epopéia achar o píer de onde se pega o barco, o rio fede muito e o templo estava fechado pra reformas (mas os jardins são lindos, então valeu a viagem)

Valor do ingresso: 100 BAHT

Templo Wat Arun em Bangkok

 

Wat Tramit

Afora a maior escultura em ouro de um Buda na Tailândia, esse templo não tem nada demais. Só mais um templo budista, lotado de turistas fazendo selfies.

Fica perto de Chinatown (que valeu toda a viagem) e dá pra chegar de ônibus. Pegamos o de número 35 (13 BAHT), que passa na Ratchadamnoem Klang Road, a rua do Monumento a Democracia.

Valor do ingresso: 40 BAHT

Templo Wat Tramit em Bangkok

Além desses, existem outras centenas de templos na cidade e muitos deles quase não são frequentados por turistas. Tivemos a sorte de achar um no meio do caminho voltando de Chinatown que estava completamente vazio. Infelizmente, a placa com o nome do templo estava em tailandês e não sei dizer qual era.

 

4 – IR às compras

A Bangkok das compras é uma cidade a parte. Nosso primeiro contato como mundaréu de produtos à venda foi em Chinatown.

Toda grande capital do mundo tem uma Chinatown pra chamar de sua. E Bangkok não é diferente. Só que na de lá a quantidade e variedade de coisas à venda é de desnortear o ser humano. Lá é a loja de tudo, uma Amazon a céu aberto.

Chinatown foi feita pra ser observada como mero espectador, pra se caminhar pelos becos observando as motos, os tuk tuks, os comerciantes tailandeses tentando negociar com os turistas, a moça da barraquinha de rua explicando em tailandês o que são as especiarias que está vendendo. É o melhor lugar pra se observar o povo local, mas está longe de ser o melhor lugar pra fazer compras.

Foi em Chinatown que vimos pela primeira mais uma das tantas famas tailandesas: pessoas preparando comidas com higiene duvidável, trabalhadores da peixaria limpando os peixes no chão, cachorros e gatos (mais gatos que cachorros) passeando livremente entre bolsas coloridas e barracas de Pad Thai. A Bangkok que se lê nos blogs tá bem ali.

Chinatown é pra ir sem pressa, fotografar com gosto e sentir uma Tailândia de verdade, aquela do dia a dia.

Chinatown de Bangkok 

Chinatown de Bangkok

Há outras centenas de lugares pra fazer compras em Bangkok, entre eles os famosos mercados de Chatuchak e o Flutuante, dos quais passamos longe, pois já havíamos nos esbaldado nos maravilhosos mercados do Vietnam e do Camboja. Além de um bairro inteirinho de shopping centers, que foi nossa opção.

O The Seven Luck, hotel em que estávamos hospedados, ficava bem pertinho da estação do canal que levava pro Siam. É muito comum, tanto tailandeses quanto turísticas, usarem o barco como meio de transporte.

Não posso dizer que a experiência é das mais agradáveis, porque, como já disse antes, o rio fede. Mas é interessante ver uma Bangkok pelo lado de dentro, o que significa ver os fundos dos prédios e dos restaurantes bem de pertinho, observar a forma como os tailandeses entram e saem dos barcos e como eles lidam com o fluxo de turistas usando um transporte que eles usam pra trabalhar.

Os canais de Bangkok

A primeira parada foi no MBK Center, que tem entre as especialidades centenas de lojas de equipamentos fotográficos e eletrônicos. Desde celulares a aparelhos de som e notebooks, tudo a ótimos preços, inclusive mais baratos que nos Estados Unidos durante a Black Friday. Mas, cuidado! Se estiver barato demais pode ser que sejam falsificados. Same Same, but different! Vem daí a expressão.

O shopping The Platinum é o paraíso das roupas e acessórios. É difícil se concentrar num lugar tão cheio de coisas. Onze, eu disse 11, andares de lojas. Cada um com uma especialidade. Feminino, masculino, infantil, acessórios e por aí vai. Tem muita coisa boa, muita coisa ruim também, mas é tudo barato. Muito barato!

Shopping center: ame ou odeie. O fato é que Bangkok te oferece um mundaréu de coisas pra deixar qualquer um zonzo e sem dinheiro. Os shoppings do Siam se interligam por passarelas, tipo aqueles filmes futuristas da década de 70, os Jetsons e coisa e tal. Só um passeio por lá, mesmo sem intenção de comprar, já vale a visita pra se ter uma outra perspectiva da cidade.

 

5 – ROOF TOP se beber, não casE

Mais uma das famas de Bangkok: os roof tops. Aqueles prédios mega altos com um bar/restaurante/boate na cobertura e vista pra cidade inteira.

Reservamos a última noite na cidade pra conhecer o tão famoso bar do filme Se beber, não case 2, que fica no State Tower, o terceiro prédio mais alto do país, com 68 andares. Ali fica o restaurante ao ar livre mais alto do mundo, o Sirocco. O jantar por lá pode custar cerca de 150 dólares, mas também há um bar onde os menos afortunados, como nós, podem consumir apenas drinks enquanto admiram a linda e vertiginosa vista.

É dali que se começa uma boa noite com a energia que Bangkok tem. Afinal, a Khaosan Road está a apenas 15 minutos de tuk tuk de distância.

Vista de Roof Top em Bangkok, se beber não case

 

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